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June 19
Umbrais do pensamento
Sentado entre os umbrais do pensamento
Ternos desejos afloram o meu horizonte,
Sempre tímidos e maviosos como no tempo
Em que apaixonado eu beijei a tua fronte!
Vejo no tempo um altar de rosas brancas
Puras como o corpo que a mim se abriu,
Hoje devoro extasiado essas lembranças
E tento agarrar o passado que me fugiu!
Adoro as rosas que nasceram no teu jardim
Das sementes que um dia eu próprio semeei,
São belas flores que ternamente olham por mim
E me retribuem todo o amor que eu lhes dei!
Sinto que os meus pensamentos se calam
Já velhos e cansados teimam em adormecer,
Só os da tua presença ainda me falam
Como os melodiosos sons do amanhecer!
João Manuel Zagalo
April 24
Abril dos pobres
Um dia em ti, ó pátria querida
Entre os teus rios e montanhas
Com a liberdade reprimida
Eu nasci das tuas entranhas.
Fui criado nos teus riachos
A onde corria em silêncio
Uma força viva sobre escolta
Força que regou Abril dos bravos
A onde nasceram vermelhos cravos
Que enfeitaram o grito da revolta.
Hoje, olho do alto da ponte
E correndo água abaixo,
Vai a esfomeada tristeza
Porque a esperança de Abril
Não acabou com o tacho
Onde se cozinha a pobreza.
Nunca eu remeti em questão
O privilégio de se ser nobre
Mas não queria que a revolução
Deixa-se o pobre mais pobre.
Se a liberdade de expressão
É um direito que nos assiste
Ao grande flagelo da fome
Só a humilde pobreza resiste.
João Manuel Zagalo March 08
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
A todas as mulheres
Folhas coloridas
Tenho à minha frente
Uma folha de papel branco
Que à primeira vista
Não tem nada…
No entanto,
Eu vejo nela
Pedaços de uma mulher ignorada!
É isso mesmo,
O que muitas mulheres são
Aos olhos dos homens,
Folhas brancas
A quem ninguém liga nada…
É para quando
O colorir destas folhas
E a atribuição
De responsabilidades iguais?
Que mais não serão
Do que os seus direitos naturais.
Não posso evitar de me insurgir
Contra os prometedores
De paridade
Que lhe prometem igualdade
E que só sabem é mentir!
Não esqueçamos que as mulheres
São as nossas raízes,
São a base de um novo mundo
A construir;
Sem elas nós homens
Seríamos uma planta
Que nunca chegaria a florir!
João Manuel Zagalo
January 19
A cor do pensamento
Assim como a água do mar,
Dá o azul ao firmamento...
Igualmente a tua imagem
Dá cor ao meu pensamento !.
Na imensidão do teu olhar ufano,
Há uma oceânica maré de prazer,
A onde eu quis navegar a todo o pano,
Mas acabei por me perder!..
Uma flor que cedinho se abre,
E olha meigamente o sol da manhã
Oferecendo-lhe a sua frescura!
É como eu me sinto num instante
Em que teu olhar penetrante
Me ilumina de uma envolvente ternura
O meu pensamento és tu
E tanto luto para te esquecer ...
Mas não quero ganhar esta batalha
Pois só serei feliz se a perder !..
João Manuel Zagalo
January 05
Dedicado aos meus amigos!.. do lar da terceira idade do Seixo de Mira
Bengala pesada
Vejo chegar um corpo cansado
Pelo peso de uma bengala vergado
Ao átrio do centro de dia!
Há nos seus lábios um profundo anceio.
De falar a um filho que não veio,
Dar-lhe um beijo ou um pouco de companhia!..
Senta-se nos degraus da história,
Tenta recordar o que a vida lhe deu
Desde a idade de garoto!...
Acaricia em vão o corrimão da memória,
Já não se lembra do que aconteceu
Tudo guardou em saco roto...
Sente dos olhos as pálpebras rizadas,
As horas passam por ele em fieiro,
As histórias que conta são aveladas,
Ele, a contá-las, não é o primeiro!
Um par de olhos desvanecidos
Pelas labaredas do tempo queimados,
Pensamentos num monte de cinzas sumidos,
Memórias guardadas em livros fechados.
Cria labirintos onde a vida vagueia,
Limpando os medos dos recantos escondidos,
Esperando que chegue a última ceia,
Para dar contas ao mestre dos talentos geridos...
João Manuel Zagalo
December 30
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HOMENAGEM
São lindos os pinheiros de natal
Que decoram a nossa festa
Só por isso lhe faço este poema
Que é uma homenagem modesta
Poucos pensamos que esse pinheiro
Foi cortado por dinheiro
Para ornamentar o nosso salão...
E depois será deitado fora num canto
A onde abandonado fará seu pranto
Ao morrer ressequido e sem razão!..
Tambem ele tinha uma vida
Que perdeu neste natal
E sentiu na carne a ferida
Mesmo sendo um vegetal
Que a natureza nos perdoe
De termos utilizado o machado
Contra as árvores inocentes!
E que passados os festejos
Que um dos nossos desejos
Seja lançar à terra novas sementes...
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| November 26
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Caminho
Passo a passo, pelo caminho
Piso as folhas mortas de mansinho
Bebo o espaço que me rodeia,
Entristece-me esta beleza caída
Das folhas que já foram vida
E que agora, o lodo enlameia!
Olho as árvores de nudez vestidas
Expostas à luz dos Outonais alvores,
Mergulho no lago das memórias perdidas
E viajo no tempo, de outros amores...
Ali mesmo ao lado corre um ribeiro
Que o sol de Outono já não aqueceu,
Que afoga lembranças d,um moliceiro
Que a memória do povo já esqueceu!
Despeço-me da paisagem silvestre
Derramo as lágrimas sobre a verdura,
Choro a minha origem campestre
Recordo-a com emocionada ternura
Olho as linhas da palma da mão
E nelas leio o meu destino,
As folhas voltarão a refrescar o verão
Mas eu, forças não terei então
Para voltar a pisar este caminho
João Manuel Zagalo
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November 05
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Pedaços de Desejo
Toda a noite nós ficáramos
Corpo a corpo, em um só,
Como se as nossas vontades
Tivessem dado um só nó.
C’ os membros entrelaçados
P’la luxúria transpirados,
Em desejos bem salgados,
Fruto dos lábios beijados.
Eu e tu, em vontade louca
Numa paixão envolvente,
De ficarmos um no outro
Para sempre e em permanente.
Meu corpo inunda prazer,
Jorra o suco da paixão,
Enrola-me no teu linho
Jamais sinto a solidão.
Deposito vital gérmen,
Em esforço de gladiador.
Amanhã é testemunho
De nossa noite de amor.
João Manuel Zagalo | | |
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October 27
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PECADO DE AMOR
Fiquei louco e enfeitiçado
Pelo teu corpo cor de trigo,
Sabendo eu que era um pecado
Que me deixaria do céu sem abrigo!
Unimos os nossos corpos aluarados,
A coberto de nuvens sombrias,
Deste-me de beber num cálice inusitado
Licores que há muito não servias!
Dei-me a ti perdidamente
Sem ouvir conselho nem recado,
Aguardo agora serenamente
A penitênica do meu pecado!
Pequei, eu bem o sei,
Em deitar-me no teu regaço
E por saber que pequei
Esta contrição eu faço.
Mas, guardo na alma
O prazer desse momento,
Nesse fim de tarde calma
Que adoçou meu sofrimento...
Não sei se haverá perdão
P'ra este meu pecado cometido,
Eu dele faço a confissão
Mas não estou arrependido!...
Que Deus perdoe meu coração
Que amoroso já não sabe o que diz,
Pois sentiu neste pecado jubilação
Fazendo deste dia o mais feliz!..
João Manuel Zagalo
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Rosa .."Editora" |
October 18
25/10/2007
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Bebi a luz dos teus olhos
Acendem-se Estrelas ao Sol-posto
P'ra à noite ter companhia,
Mas há duas no teu rosto
Que brilham de noite e dia!
Bebi a luz dos teus olhos,
Que a minha sede saciou
E que num êxtase divino
A minha alma deixou!
Como Jesus lá no monte
Que de amor estremeceu,
Ao beber água da fonte
Que a Samaritana lhe deu!
Por mais que a minha vida corra
Nunca tudo hei-de apanhar,
Mas mesmo que o meu corpo morra
A minha alma te há-de beijar!...
João Manuel Zagalo |
July 18
Santuário do fado
Nunca eu fado cantei ,
Guitarra não dedilhei
Nas festas ou romarias,
Mas tenho na alma a faceta,
Que obriga a minha caneta,
A escrever fado todos os dias...
O fado, é remédio que cura,
Esta saudade pura e dura,
Que no coração tenho presente...
É com a voz de um cantador,
Que amenizo esta minha dor,
Que é do país estar ausente!...
O fado, é um hino ao destino,
De toda a raça Portuguesa,
Que, d,um pais tão pequenino
Deu ao mundo tanta grandeza
Há fados que cantam “Pessoa”
Outros, “Camões” e Lisboa
E em Coimbra, choram “Hilário”
São poemas de adoração
São pedaços da minha nação
Que do fado é santuário
João Manuel Zagalo
July 08
Quem És ?
Ainda hoje não sei Quem és
Se vieste dos campos floridos
Ou das florestas encantadas!...
Talvez tenhas vindo nas marés
Arrancada aos corais coloridos
Pelo enrolar das ondas encapeladas
Deste-me o céu , sem eu pedir
Alegraste-me a alma sem eu merecer
Saboreas-te as caricias que eu te fiz,
Deste-me a beber o nectar do prazer
Pelos teus belos seios , feitos fonte
Que refrescaram meus lábios febris
Partiste voando, não mais te vi
Só ficou na praia o gemido das ondas
Que vão e vem betendo na areia!..
E na crista, a branca espuma
Que fustigada pela salgada bruma
Vindo à praia os meus olhos mareia
Íris é o teu arco, no meu horizonte
Que brilha escondido por detraz do mar!
Pequenos fios de luz escorrem da fonte
Que finamente estrelam a noite
Enquanto eu espero que jorre o luar!...
João Manuel Zagalo
May 21
Fuga Na Madrugada
Degustei mais de mil sabores ,
Ao mordicar os teus doces beijos,
Deitado na caruma dos pinheiros ,
Na floresta dos meus desejos...
Colhi as pétalas perfumadas,
Das flores do teu afecto.
Senti nos meus lábios a vulúpia
Dos seios que me hás oferto...
Senti o teu corpo nu, no meu
Nadando em águas agitadas.
Ao prazer que o teu me deu ,
Ofereceu o meu, caricias onduladas...
Navegámos sem tino nem rumo ,
Num mar de luxúria agitado,
De onde te evolaste como o fumo ,
Desaparecendo no horizonte enevoado...
Quando á minha cama me acoite,
Sonhando que lá estás deitada,
Estarás comigo toda a noite
Mas fugirás de madrugada...
João Manuel Zagalo
May 13
PRAIA DE MIRA: RAINHA DA COSTA DE PRATA
May 12
Praia de MIra
O mar dorme mancinho
Coberto pelo branco luar,
As gaivotas cantam baixinho
Não vá o mar acordar!
Deito-me na areia a seu lado
Como em lençóis de linho,
Deixo-me embalar pela briza
Recordo os tempos de menino!
Nas dunas encosto a cabeça
A espuma branca cobre meus pés,
Espero que o sonho aconteça
Com o subir das marés!
Acordo de manhãzinha
Com o sol jà à janela,
A namorar a barrinha
Fazendo a praia mais bela...
João Manuel Zagalo
March 20
21 de Março, Dia Internacional da poesia
Á Luz do Poeta
Deus fez dele o primeiro poeta
Dando-lhe a luz no primeiro dia
Ao Sol que nos presenteia
Com vastos momentos de poesia.
Ser poeta é ter na alma a pureza,
É cantar, chorar, é sentir;
É compreender a natureza
Da rosa o perfume ao florir.
Ser poeta é sonhar o futuro,
É dar voz à imaginação;
É cantar não só o passado
Mas à alma dar expressão.
Ser poeta é ser coerente
É renegar a hipocrisia;
É aceitar ser diferente
É viver, lutar pela poesia.
É amar a musa que inspira
Saudade, ou mulher amada,
Dedicar-lhe a bela poesia
Em nosso peito germinada.
João Manuel Zagalo
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A mais formosa
Por seres a mais formosa
Semeou Deus em ti p,ra mim,
Dentro do teu peito uma rosa
Nos teus olhos um jardim.
Se um dia o sol se apagar
Esta prece a Deus eu faço,
Que seja para mim o calor
Que guardas no teu regaço.
Anda o céu num redupio
Duas estrelas desapareceram,
Encontrei-as nos teus olhos
Á noite quando se acenderam.
O sol foi pedir a Deus em vão,
A tua mão de menina enemorada,
Mas disse-lhe Deus que não
Pois jà a mim estavas destinada!...
João manuel Zagalo |  | |  |
February 23
Flor da Cerejeira
Pétalas brancas, maré de flores,
Em fértil campo meu,
Recebeste os teus amores.
Deste o teu pólen aos beija-flores
Foste amante da brisa,
Para fecundares o fruto
Num ciclo que se eterniza.
Morreste para dares vida
Juncaste o chão com marfim
Do teu gomo pariste o fruto
Deixaste a tua mãe de luto
Sepultando-te no meu jardim
O fruto que de ti nasceu
Da primavera foi o primor
Teve o sol como padrinho
Que o beijava de mansinho
De manhã para lhe dar cor
João Manuel Zagalo
(Visite Os Arquivos)
January 31
S. VALENTIm

Rosas de Amor
Perdoa-me, meu amor,
Se te ofendi sem saber
Ou te desprezei sem querer.
Perdoa-me, meu amor,
Se esqueci que existes
E também tens sentimentos.
Perdoa –me, meu amor,
Por eu ser tão intratável,
Na vida em tantos momentos;
Por nunca chegar a horas
Para contigo jantar,
Pois quando eu chego a casa
Já estás farta de esperar.
Mais uma vez perdão te peço
De esquecer teu aniversário,
Com uma desculpa esfarrapada
Qual um conto do vigário.
Perdoa, amor, perdoa
Todo o mal que há em mim
Nem se quer te dei uma rosa
Em dia de S. Valentim.
Amo-te sinceramente,
Mas que queres?... Sou assim,
Grande remorso eu tenho
De às vezes te possuir
Sem sequer olhar para ti.
Por isto e por tudo o mais
Desculpa, amor, porque te ofendi.
Prometo que, de hoje em diante,
Que minha vida vai mudar
Porque em dia de namorados
Meu amor quero renovar.
Serei um ramo de rosas
Sem espinhos, de coração,
Amar-te para toda a vida
É promessa de paixão.
João Manuel Zagalo
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O grito de quem trabalha
Não sou um poeta novo
Sou o grito do meu povo
Que eu quero saber catar...
tenho sua raiva no ventre
E com ele sofro docemente
E ninguém me pode calar!...
Canto as agruras do monte
Floridas em tempo farto
E a singela planta silvestre
Que cresce no meio do mato,
Grito à água que não corre
Com palavras que não saem
Chóro o sumo espremido
Dos frutos que se esvaiam,
Queria poder adoçar
Os calos de quem tabalha
Que bebe na fonte o suor
E na mesa não tem migalha,
É esta a sina da minha gente
Que tem como ferramenta o arado
Dá o esforço e a semente
E nunca mais ser lembrado!...
João Manuel Zagalo
Visite Os Arquivos...(Archives) |  |
January 29
Saudade
Ao passear nesta cidade,
Escondo lagrimas de saudade
Por detrás do meu sorriso forçado...
Que há muito rabiscam rugas
No meu rosto cansado
E escrevem o poema... deste meu fado...
Dos meus olhos,em sofrimento
A onde a luz já se faz rara
A nascente não é avara,
E brotam gotas salgadas de desalento...
Imploro ao vento que sopra,
Dos lados das dunas de Mira
Que me traga por gentilesa,
No seu sopro as areias
Que servem de cama às sereias
Na nossa praia gandaresa
E o enrolar das vagas
Pelos ventos acariciadas
Num eterno movimento,
Mesmo estando eu ausente
Tenho comigo sempre presente
Nas marés do pensamento...
João Manuel Zagalo
January 01
Antologia dos poetas de Mira
Se eu fosse poeta
(Câmara Municipal de Mira e Junta de Freguesia de Mira)
Desejando a todos um bom ano 2007, venho anunciar-vos que no limiar deste novo ano , vamos aqui, no “poesias do seixo de Mira” prestar homenagem aos poetas populares Mirenses, poemas esses já editados na Antologia dos poetas de Mira “Se eu fosse poeta.”
Temos simplesmente como objetivo divulgar uma obra literária que nos canta com a sua simplicidade a sensibilidade de um povo.
Salvo umas raras exepções os poetas aqui apresentados têm como estudos a quarta classe do ensino primário
Desejamos-vos uma boa leitura, apreciando estes poemas pelos valor que eles representam...
João Manuel Zagalo
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Ser Português , Ser Marinheiro
No mar se perde a linha do sol-pôr
Esse mar imenso que a nudez supera,
Enfunar au vento as velas da galera,
E cortar da quilha o mar enganador.
Jà longe a terra se perdeu de vista :
Apenas mar e céu nos cerca, nos separa,
Mas cresce en nós a fé que nos ampara
Como se outro mundo dentro de nós exista .
A noite avança,a incerteza aumenta.
Crescendo em nós o medo da tormenta,
Quando o vento norte sopra traiçoeiro
Mas Deus é fé, esperança e caridade
Nos frescos anos, da tenra mocidade
Do Português qu’ além de tudo é marinheiro
Poeta das Pedregeiras
João Simões –N/12/06/1914—F/1999
(Antologia dos poetas de Mira)
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O Livro da Vida
Tudo está escrito
No livro que não se leu
Na ilusão do instante
No caminho degradante
Que o livro se esqueceu.
Num sentir sem sentido
Num querer sem vontade
Livro aberto para não ler
Olhos fixos , mas não ver
O livro aberto da verdade.
Já nada importa
O livro podes fechar
Não faz sentido lê-lo
E logo esquecê-lo
Para não mais lembrar
Livro da vida
Aberto a todos nós
De contas erradas
Nunca acertadas
Não ouvimos a sua voz.
Livro de segredos
Em tantas paginas contidos
Fechado na nossa mão
As folhas da ilusão
Do livro sem ser lido
Lurdes Neves
(Antologia dos poetas de Mira)
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DESEJO
Quisera querida, cobrir-te de beijos
Pequeninos e leves que mal pressentisses!
Unir-lhe meus lábios se teus olhos abrisses,
Ciciar-te au ouvido palavras de amor.
E neste trepor:
Se tentasses falar,
Também com os meus lábios tua boca tapar
Cerrar os meus olhos...
Sonhar acordado!
Feliz me encontrasse...:
Voltar ao princípio (!);
Como de beijos de mãe se tratassse!
Que à filha adorada,
Dormindo, acordada,
Mil vezes beija-se
Á Edite em 11/03/1962
João Viana
Casas Novas --Mira
Antologia dos poetas de Mira)
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Dedicado não a todas, mas sim certas mulheres da nossa terra
Mulher raposa matreira
Que o homem tem de aturar
Para conseguir um desejo
Ela é capaz de chorar.
I
Dizem que é o anjo do lar
Mas ao homem faz a vida dura
Pois nunca a temos segura
Ela só sabe é ralhar
Mas não nos devemos calar
Aquele grande banzé
Ela lava-se e perfuma-se até
Para ir à praça ou à feira
Mostrando assim o que é
Mulher raposa matreira
II
E assim a nossa sina
Por ter de amar alguém
Para ela nunca está bem
E uma bicha muito fina
Por ser briosa e ladina
Merecia um lugar no altar
Para depois lhe implorar
E comprir a coisa à risca
Donde geram tal bisca
Que o homem tem de aturar
III
Ela faz trinta por uma linha
E a coisa sai sempre bem
Diz o que tem e o que não
E o que tinha e que não tinha
Fazendo-se uma rainha
Que até mete certo pêjo
Eu finjo que não vejo
Aquilo que éla pratica
Ela até diz que é rica
Só para conseguir um desejo
IV
Os homens que tem a desventura
Devem notar isto bem
Ela não quer só um vintém
Mas sim dinheiro com fartura
Para conservar a formosura
O cofre não lhe deve faltar
Ela està acostumada a gastar
Tudo aquilo que o marido arranja
Para ela tudo isto é canja
Ela é capaz de chorar
João Rocha zagalo
Seixo de Mira—N/06/09/1922
(Antologia dos poetas de Mira)
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Fim do Mundo
A eternidade é um momento só
A nuvem do céu é já pingo de chuva
Cheguei e parti e nem me dei conta
O copo vazio é já vinho e uva.
A madrugada e a noite caminharam juntas
E os rios e os mares uniram-se num
As altas montanhas juntaram-se ao céu
Os sinos da igreja são apenas som.
O elefante canta para o rouxinol
Da mãe pata do rio nasceu um cabrito
O tempo esqueceu-se e não veio almoçar
O vento parou e sentou-se aflito.
A lua vestiu-se com vestido de noiva
De véu e grinalda de ramo na mão
Os peixes saltaram do rio para comer amoras
Um raio de sol que passou gritou:”Mas que confusão!”
Os canhões dispararam flores de todas as cores
Os mísseis usavam ameixas maduras
Os soldados levavam poemas em vez de espingardas
E debaixo da terra sai pão, amor e farturas
O altar da igreja tem rendas vermelhas
E todos os cantos escuros , agora tem luz
Os santos felizes juntaram-se em festa
E Jesus Cristo disse:” Quero sair da cruz!”
Maria Guiomar Costa
MIRA—N/24/12/1951
(Antologia dos poetas de Mira)
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Rapariga modesta
MOTE
Tu sentes-te orgulhosa
Por seres bem torneada
Há quem te chame vaidosa.
Tu para mim és asseada.
Glosas
Tens cabelos ondolados
Tens faces cor-de-rosa.
Por teres seios limonados
Tu sentes-te orgulhosa.
Tens a benção da candura
Numa beleza requintada.
Realça em ti a formosura
Pores seres bem torneada.
Pelo caminho da igreja
Não há moça mais charmosa
As outras causas inveja.
Há quem te chame vaidosa!!
Há sempre quem de ti fale.
Isso é cençura fiada
O que dizem pouco val
Tu pra mim és asseada.
José Maria Damas
N—13/01/1939-- Praia de MIRA
(Antologia dos poetas deMIRA)
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A Criação
Uma obra nunca nasce por acaso,
O operário passa a vida a trabalhar,
Um envento, nunca na vida acontecia
Se não fosse a criação tê-lo, pra dar
Avaliar a incursão Humanitária,
E confundir o superior com o vulgar,
De que valia o divino de um sacrário
Se não fosse a teologia acreditar?!...
Que seria da história das nações
Sem criação, sem operários,sem enventos,
Sem o Colombo,Vasco da Gama ,ou seu Camões?!...
O que seria a criação sem novos ventos,
Dos cantos sem novos estrumentos
Ou do planeta sem novas gerações?!...,
Domingos Neto N/ 02/11/53—Lentisqueira-Mira
Publicado na “Voz de Mira” /16/05/2001
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« o moças Bailai »
O moças dançai o vira
Que o vira nos dá prazer
P’ra recordar o passado
Que o recordar é viver
Rapazes e raparigas
Dançai o vira velhinho
A mocida delira
Dançando o vira certinho
Ai que alegria
O vira nos trás
Dá voltas Maria
Juntinho ao rapaz
Assim a cantar
Assim a correr
Assim a bailar
E belo viver.
O vira dá alegria
O vira dá emoção
Ao virar nesta folia
Saltita o coração
Nesta dança inocente
Cheia de encanto e beleza
Vibra alegre, triunfante
Toda a raça portugeusa.
Francisco Ribeiro Carlos
Portomar-Mira -N/10/8/1916//F/27/01/1940/
(Antologia dos poetas de Mira)
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As mães de Mira que tem os filhos longe por outras terras
Que não são as nossas terras.
Eu sou uma mulher estéril
E pergunto a mim mesma
Os filhos a onde estão?
A minha herdeira é a saudade
Que me destroça de manhã ao anoitecer
Passando-me diante dos olhos um filme
Até eu adormecer.
E sonhando vejo quatro crianças
Que me fazem viver de esperanças
A quem está perto de morrer
Oh minha herdeira saudade
Não sejas má: dá-me esse filme
Tu não me ouves não?
Tu já não mo podes tirar
Porque eu o tenho dentro do coração
Dentro tenho quatro crianças
Traquinas a brincar
E uma mãe ao lado
De vez em quando a ralhar
Mas essa mulher não sou eu
Porque sou uma mulher estéril
Que nunca teve ninguém
Mas porque é que eu gosto tanto do filme?
E de ver quatro crianças a brincar
Será que eu ando iludida
Ou me esteja a enganar?
Chora, chora meu pobre coração
Que a tua herdeira, a saudade
Fez com que nunca mais
Tenhas cura nem ventura!
Chora, chora coração
Chora, chora de amargura
Celeste de Jesus de Oliveira
N-26/01/1927
Carapelhos- Mira
(Antologia dos poetas de Mira)
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O MAR
Mar mar porque não te acalmas
Porque te agitas tanto
Nesse teu barulho intenso
Só agitas o meu pranto.
Gosto de ti quando estas calmo
E tuas ondas acariciar
Assim na certeza e sem medo
Em ti vou me relaxar.
Não te sirvas da grandeza
Para nos atorrorizar
Pois tu gostas bem de nós
Na tua linda beira mar
Connosco sempre vens ter
Como para nos beijar
Por isso dá-nos respeito
Se nos quizeres abraçar
Nesta tua imensidão
Por vezes do leito sais
Respeita bem os teus limites
Para não nos deixares aos ais.
Tua grandeza me fascina
Em ti encontro acalmia
Mas não te esqueças que nos deves
O pão nosso de cada dia
Muitos contigo contam
Para sua fome matar
Não os esqueças por favor
Pois é teu dever ò mar
Carlos Martins
Portomar Mira--N/1953
(Antologia dos Poetas de Mira)
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Soneto
Rude e áspera é a paisagem, mas que importa?
Vibra tal esplendor na luz ambiente
Que a alma da gente em preces se transporta
Ao céu, e volta pura a alma da gente!
Como que paira milagrosamente
A Santa no alto da campina morta
Derramando dos olhos em torrente
A Esperança que eleva a fé que exorta
Gente de Portugal, oh minha gente!
Tu que em Fátima vês nossa Senhora
Pede-lhe prosternada e reverente.
Que alongue os braços portugal em fora
Evolva os olhos carinhosamente
A abençoar-nos hoje e em toda a hora
David Cruz
MIRA-- N/13/6/1927
(Antologia dos Poetas de Mira)
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Versos de Entusiasmo
Luzitania: ó linda pátria querida
Teus altos feitos por camões versados
Lendo a historia choro pela vida
Dos nosos heróis antepassados.
Luzitana sim pois tu ó rapariga
Por vezes o que a natureza dotou
Me fizeste lembrar da pátria antiga
Deste lindo portugal que me embalou.
Pois és dotada de sentimentos nobres
E também possuis sentimentos belos
Também sei que a tua maldade não encobres
Com que possa alguém causar flagelos.
A mão divina te desfolhou na face
A flor da beleza o lindo enfeito
Dando à tez a frescura da alface
E ao coração a bondade e respeito
Poisa-te na face a luz das estrelas
Es da primavera a flor mais mimosa
Acho-te a mais linda entre as belas
Es a luz da lua palida mas airosa.
Es o sol inocente o sol mais perfeito
O sol que me abria a flor da vida
O sol que nos dá satisfação ao peito
O sol que trás a alegria perdida.
Aníbal Domingues Terríel
Ramalheiro-Mira(23/02/1905--/20/04/1998
(Antologia dos Poetas de Mira) December 16
para que este natal seja diferente!
. ..dá um pedaço de ti como presente...
Natal Bloguista
Eu vi desabrochar o Natal
Nas flores do meu jardim
Fiz raminhos para todos vós
Que na net, gostam de mim
Que o NATAL vos sorria
Bloguistas, amigos virtuais,
Que me fazeis companhia!..
Com a alegria que me dais
Ocupais na minha vida
A tribuna dos amigos bem reais...
Dou-vos o meu coração em flor
E o perfume da amizade desinteressada
Que as pétalas caidas a vossos pés
Junquem da vossa vida a calçada
Que uma santa paz, enibriada
De doces incensas celestiais,
Abrace forte os vossos filhos
E beije ternamente os vossos pais...
Feliz Natal a todos os Blo’migos
João Manuel Zagalo December 11
CONTO DE NATAL
Éra uma vez, a noite da consoada
Á mesa, toda a família cantava
Os vérsos de Natal, com alegria,
Quando duas pancadas na porta
Ressoaram na hora morta
Quebrando a doce magia!..
Diante da porta sentado
Estava um passarinho desasado
E encharcado p,lo tempo chuvoso,
Mas tinha o natal anunciado
No devino brilho prateado
Do seu olhar luminoso !
Eu perdi a minha mãe!
Disse em choradas palavras
Já não tenho eira nem beira...
Poderei eu pôr meu sapatinho
Dentro da casa nun cantinho
Bem chegadinho à lareira?
Sentou-se à mesa o menino
Recevendo de todos o carinho
Pela sua humilde presença!
Estando jà deitado em cama fina
Quando uma Aureola de luz divina
Se pousou sobre a sua cabeça
Este!.. é o filho da verdade
Corpo santo da trindade!
Disse uma voz vinda da luz,
E veio anunciar aos meninos
Mesmo aos mais pobrezinhos
Que foi por eles, que nasceu Jesus...
João Manuel Zagalo December 02
NATAL DIFERENTE
Espesso muro de betão Se ergue diante de mim, Correndo pela planície E formando um grande circulo, Sem princípio nem fim.
Grandes portões de forte aço Ali contemplo plantados, Tão sinistros e autoritários, Que, bem pensando, até parecem Terem sido fabricados Já totalmente fechados.
Uns homens robotizados Observando os meus passos Incertos e comovidos, Por verem seres humanos Carregando sobre os ombros O peso dum duro castigo Por crimes antes cometidos.
Na grande sala de espera Senti-me mais aliviado. Era bem já outra a atmosfera À volta de um pinheirinho De muitas cores iluminado.
Um grande mar de esperança Esta ideia genial: De alguém haver plantado No centro daquele salão Ali, no chão da prisão Um pedaço de NATAL.
(Dedicados a todos os presos)
João Manuel Zagalo
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É
NATAL
É bom que este natal
Saia da rotina habitual
E se prolongue além do um dia
Que possa, em fim, ser mais real
Que o homem seja mais fraternal
Sem maldade nem hipocrisia
Que as raças tenham o mesmo valor
Que todos os homens se possam abraçar,
Sem difereças idiologicas, de crenças ou côr
E que um ideal de paz, juntos possam cumungar
Que a tolerância reine enfim, sobre a terra
Que o mundo cale o zunir da guerra
E as armas só disparem plantas em flor !
Que os aviões lancem brinquedos ás crianças
Que os governantes dêem vida ás nossas esperanças
E que, em fim, tenhamos um Natal de paz e amor
Se todos pudessem ouvir, sentir e compriender
A mensagem que foi deixada por jesus, na manjedoura,
A tolerancia seria tal, que a partir deste natal
O mundo viveria uma paz serena, eterna e duradoira
Feliz
Natal
Para
Vós
TODOS
João Manuel Zagalo |  |
October 25
NATAL MáGICO
A noite era muito escura, Não havia estrelas nem lua!... Na aldeia onde eu vivia, As árvores estavam nuas E por todas aquelas ruas Reinava uma tristeza fria.
De repente, aconteceu Que o breu da noite se fez dia, E das árvores nasceram flores, Como por golpe de magia. Ficando iluminadas Com frutos de várias cores ...
Tudo, então, se transformou E toda a aldeia cantou, Num coro celestial, Nessa noite da consoada Por Jesus abençoada Era a noite de NATAL
João Manuel Zagalo
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PARAÍSO ÓRFÃO
Aquela maré tão verde E pelo vento ondulada Enche a manhã de encanto, Com o sol da madrugada.
Sempre os canízeos dos palhais, Na frescura das manhãs, São fonte de belos chilreios E do coaxar das rãs.
Belas rabilas em festa São mestras da sinfonia E os cantares de quem trabalha São coros de alegria.
Mas está órfão este paraíso, Violado em sua beleza, Roubaram-lhe as baleiras brancas, Seu enfeite da natureza.
João Manuel Zagalo
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Prazer (dos sentidos)
Prazer
É sair pela madrugada
Ver surgir a alvorada
E deleitar-me com música dos ninhos
Na ramada
Prazer
É correr descalço pela pradaria
Inebriai-me com cheiro da terra
E da malvasia
E na face a brisa fresca
Que me acaricia
Prazer
É beber água fresca numa nascente
Subir ao cimo de um monte
Olhar longe no horizonte
E ficar preso da beleza que se sente
Prazer
É meter os pés na água do rio
E sentir na pele um arrepio
E logo o sol de Agosto
Bater em cheio no meu rosto
E sentar-me á sombra de um arbusto
Prazer
É colher da macieira o fruto
Come-lo com casca
E sorver-lhe o cheiro
Prazer é sair á noite pela calada
E banhar-me nua nas águas de um ribeiro
Prazer
É passear á tarde pela praia
Ver o sol poente e as suas cores
Sonhar outras terras outros amores
E viajar nas asas do vento
Perseguindo o sonho
Prazer
È olhar o céu numa noite calma
Sentir a paz dentro da alma
Ser um ponto no universo
E adormecer no seu regaço
Zagala do Seixo
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Trigo e mel
És um maravilhoso campo de trigo
De lindas espigas plenas e douradas,
Que eu afago com uma avidez de mendigo
Ao ver nelas o desejo em serem debulhadas
És o som melodioso do meu dia
És pentagrama do hino da alegria,
E da suave canção da minha vida
Serás sempre a eterna melodia.
És a fonte, de onde brota a água
límpida e fresca, que aplaca o meu desejo
És a nascente que se dá ao rio sem mágua
Correndo p,ró mar marulhando em solfejo
És a brisa Que acaricia os meus cabelos,
És a chuva que refresca os meus sentidos
E o sol que bronzeia a minha pel,
És o bálsamo para todas as minhas dores,
És abelha que me beija, como ás flores
Deixando-me entre os lábios o teu mel...
João Manuel Zagalo
October 19
Fantasias
Os meus pensamentos
Não te vou contar
São fúria dos ventos
Rodopiando no ar
São suaves recantos
De jardins proibidos
São mágoas e prantos
De amores perdidos
São vulcões em chama
De lava ardente
São galáxias vibrantes
São estrelas cadentes
São ondas revoltas
De um mar medonho
São longa metragem
De ilusão e sonho
Não me perguntes então
No que estou a pensar,
São coisas do coração
Da raiva e da emoção,
Meu mundo de fantasia
Nunca o vou revelar...
Zagala do Seixo
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