Umbrais do pensamento
Sentado entre os umbrais do pensamento
Ternos desejos afloram o meu horizonte,
Sempre tímidos e maviosos como no tempo
Em que apaixonado eu beijei a tua fronte!
Vejo no tempo um altar de rosas brancas
Puras como o corpo que a mim se abriu,
Hoje devoro extasiado essas lembranças
E tento agarrar o passado que me fugiu!
Adoro as rosas que nasceram no teu jardim
Das sementes que um dia eu próprio semeei,
São belas flores que ternamente olham por mim
E me retribuem todo o amor que eu lhes dei!
Sinto que os meus pensamentos se calam
Já velhos e cansados teimam em adormecer,
Só os da tua presença ainda me falam
Como os melodiosos sons do amanhecer!
João Manuel Zagalo