Abril dos pobres
Um dia em ti, ó pátria querida
Entre os teus rios e montanhas
Com a liberdade reprimida
Eu nasci das tuas entranhas.
Fui criado nos teus riachos
A onde corria em silêncio
Uma força viva sobre escolta
Força que regou Abril dos bravos
A onde nasceram vermelhos cravos
Que enfeitaram o grito da revolta.
Hoje, olho do alto da ponte
E correndo água abaixo,
Vai a esfomeada tristeza
Porque a esperança de Abril
Não acabou com o tacho
Onde se cozinha a pobreza.
Nunca eu remeti em questão
O privilégio de se ser nobre
Mas não queria que a revolução
Deixa-se o pobre mais pobre.
Se a liberdade de expressão
É um direito que nos assiste
Ao grande flagelo da fome
Só a humilde pobreza resiste.
João Manuel Zagalo