Passo a passo, pelo caminho
Piso as folhas mortas de mansinho
Bebo o espaço que me rodeia,
Entristece-me esta beleza caída
Das folhas que já foram vida
E que agora, o lodo enlameia!
Olho as árvores de nudez vestidas
Expostas à luz dos Outonais alvores,
Mergulho no lago das memórias perdidas
E viajo no tempo, de outros amores...
Ali mesmo ao lado corre um ribeiro
Que o sol de Outono já não aqueceu,
Que afoga lembranças d,um moliceiro
Que a memória do povo já esqueceu!
Despeço-me da paisagem silvestre
Derramo as lágrimas sobre a verdura,
Choro a minha origem campestre
Recordo-a com emocionada ternura
Olho as linhas da palma da mão
E nelas leio o meu destino,
As folhas voltarão a refrescar o verão
Mas eu, forças não terei então
Para voltar a pisar este caminho
João Manuel Zagalo