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    June 19

    Umbrais do pensamento

     
     
     
     
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     Umbrais do pensamento

     

     

    Sentado entre os umbrais do pensamento

    Ternos desejos afloram o meu horizonte,

    Sempre tímidos e maviosos como no tempo

    Em que apaixonado eu beijei a tua fronte!

     

     

    Vejo no tempo um altar de rosas brancas

    Puras como o corpo que a mim se abriu,

    Hoje devoro extasiado essas lembranças

    E tento agarrar o passado que me fugiu!

     

     

    Adoro as rosas que nasceram no teu jardim

    Das sementes que um dia eu próprio semeei,

    São belas flores que ternamente olham por mim

    E me retribuem todo o amor que eu lhes dei!

     

    Sinto que os meus pensamentos se calam

    Já velhos e cansados teimam em adormecer,

    Só os da tua presença ainda me falam

    Como os melodiosos sons do amanhecer!

     

    João Manuel Zagalo

     

     

    April 24

    Abril !

                        
     
     
                                      

                    

     

     

     

    Abril dos pobres

     

    Um dia em ti, ó pátria querida

    Entre os teus rios e montanhas

    Com a liberdade reprimida

    Eu nasci das tuas entranhas.

     

    Fui criado nos teus riachos

    A onde corria em silêncio

    Uma força viva sobre escolta

    Força que regou Abril dos bravos

    A onde nasceram vermelhos cravos

    Que enfeitaram o grito da revolta.

     

    Hoje, olho do alto da ponte

    E correndo água abaixo,

    Vai a esfomeada tristeza

    Porque a esperança de Abril

    Não acabou com o tacho

    Onde se cozinha a pobreza.

     

    Nunca eu remeti em questão

    O privilégio de se ser nobre

    Mas não queria que a revolução

    Deixa-se o pobre mais pobre.

     

    Se a liberdade de expressão

    É um direito que nos assiste

    Ao grande flagelo da fome

                          Só a humilde pobreza resiste.

     

                          João Manuel Zagalo

    March 08

    FOLHAS COLORIDAS

         
                                                    DIA INTERNACIONAL DA MULHER
                                                         A todas as mulheres
     
     

    Folhas coloridas

     

    Tenho à minha frente

    Uma folha de papel branco

    Que à primeira vista

    Não tem nada…

    No entanto,

    Eu vejo nela

    Pedaços de uma mulher ignorada!

     

    É isso mesmo,

    O que muitas mulheres são

    Aos olhos dos homens,

    Folhas brancas

    A quem ninguém liga nada…

     

    É para quando

    O colorir destas folhas

    E a atribuição

    De responsabilidades iguais?

    Que mais não serão

    Do que os seus direitos naturais.

     

    Não posso evitar de me insurgir

    Contra os prometedores

    De paridade

    Que lhe prometem igualdade

    E que só sabem é mentir!

     

    Não esqueçamos que as mulheres

    São as nossas raízes,

    São a base de um novo mundo

    A construir;

    Sem elas nós homens

    Seríamos uma planta

    Que nunca chegaria a florir!

     

    João Manuel Zagalo

     
     
                                        
    January 19

    A COR DO PENSAMENTO

                

                              A cor do pensamento

     

                               Assim como a água do mar,

    Dá o azul ao firmamento...

    Igualmente a tua imagem

    Dá cor ao meu pensamento !.

     

    Na imensidão do teu olhar ufano,

    Há uma oceânica maré de prazer,

    A onde eu quis navegar a todo o pano,

    Mas acabei por me perder!..

     

    Uma flor que cedinho se abre,

    E olha meigamente o sol da manhã

    Oferecendo-lhe a sua frescura!

    É como eu me sinto num instante

    Em que teu olhar penetrante

    Me ilumina de uma envolvente ternura

     

                               O meu pensamento és tu

    E tanto luto para te esquecer ...

    Mas não quero ganhar esta batalha

    Pois só serei  feliz se a perder !..

     

     

                        João  Manuel Zagalo

     

     

    January 05

    Bengala Pesada

     
     
                         

            Dedicado  aos  meus  amigos!.. do  lar  da terceira idade do Seixo de Mira      

                 Bengala   pesada

     



                      
    Vejo chegar um corpo cansado

    Pelo peso de uma bengala vergado

    Ao átrio do centro de dia!

    Há nos seus lábios um profundo anceio.

    De falar a um filho que não veio,

    Dar-lhe um beijo ou um pouco de companhia!..

                         

                       Senta-se nos degraus da história,

    Tenta recordar o que a vida lhe deu

    Desde a idade  de garoto!...

    Acaricia em vão  o corrimão da memória,

    Já não se lembra do que aconteceu

    Tudo guardou em saco roto...

     

    Sente dos  olhos as pálpebras rizadas,

    As horas passam por ele em fieiro,

    As histórias que conta são aveladas,

    Ele, a contá-las, não é o primeiro!

     

                       Um par de olhos desvanecidos

    Pelas labaredas do tempo queimados,

    Pensamentos num monte de cinzas sumidos,

    Memórias guardadas em livros fechados.

     

    Cria labirintos onde a vida vagueia,

    Limpando os medos dos recantos escondidos,

    Esperando que chegue a última ceia,

    Para dar contas ao mestre dos talentos geridos...

     

                        João Manuel Zagalo

     

     

    December 30

    Homenagem

     
     
     
                           
     

     

     

      

     
     HOMENAGEM
     
     
    São lindos os pinheiros de natal
    Que decoram a nossa festa
    Só por isso lhe faço este poema
    Que é uma homenagem modesta
     
    Poucos pensamos que esse pinheiro
    Foi cortado por dinheiro
    Para ornamentar o nosso salão...
    E depois será deitado fora num canto
    A onde abandonado fará seu pranto
    Ao morrer ressequido e sem razão!..
     
    Tambem ele tinha uma vida
    Que perdeu neste natal
    E sentiu na carne a ferida
    Mesmo sendo um vegetal
     
    Que a natureza nos perdoe
    De termos utilizado o machado
    Contra as árvores inocentes!
    E que passados os festejos
    Que um dos nossos desejos
    Seja lançar à terra novas sementes...

     

                                   João Manuel Zagalo

     
     
     
     


               
    November 26

    CAMINHO

      
       

    caminho

     

    Caminho

     

    Passo a passo, pelo caminho

    Piso as folhas mortas de mansinho

    Bebo o espaço que me rodeia,

    Entristece-me esta beleza caída

    Das folhas que já foram vida

    E que agora, o lodo enlameia!

     

    Olho as árvores de nudez vestidas

    Expostas à luz dos Outonais alvores,

    Mergulho no lago das memórias perdidas

    E viajo no tempo, de outros amores...

     

    Ali mesmo ao lado corre um ribeiro

    Que o sol de Outono já não aqueceu,

    Que afoga lembranças d,um moliceiro

    Que a memória do povo já esqueceu!

     

    Despeço-me da paisagem silvestre

    Derramo as lágrimas sobre a verdura,

    Choro a minha origem campestre

    Recordo-a com emocionada ternura

     

    Olho as linhas da palma da mão

    E nelas leio o meu destino,

    As folhas voltarão a refrescar o verão

    Mas eu, forças não terei então

       Para voltar a pisar este caminho  

     

    João Manuel Zagalo

     

     

                  

       

     



     
    November 05

    Pedaços De Desejo

                  
     
     
     

     

     

     

     

     

    Pedaços de Desejo

      

     Toda a noite nós ficáramos

    Corpo a corpo, em um só,

    Como se as nossas vontades

    Tivessem dado um só nó.

     

    C’ os membros entrelaçados

    P’la luxúria transpirados,

    Em desejos bem salgados,

    Fruto dos lábios beijados.

     

    Eu e tu, em vontade louca

    Numa paixão envolvente,

    De ficarmos um no outro

    Para sempre e em permanente.

     

    Meu corpo inunda prazer,

    Jorra o suco da paixão,

    Enrola-me no teu linho

    Jamais sinto a solidão.

     

    Deposito vital gérmen,

    Em esforço de gladiador.

    Amanhã é testemunho

    De nossa noite de amor. 

     

                                      João Manuel Zagalo 

     

     
      

     

     

     

     


      

    October 27

    Pecado de Amor


    PECADO DE AMOR

     

    Fiquei louco e enfeitiçado

    Pelo teu corpo cor de trigo,

    Sabendo eu que era um pecado

    Que me deixaria do céu sem abrigo!

     

    Unimos os nossos corpos aluarados,

    A coberto de nuvens sombrias,

    Deste-me de beber num cálice inusitado

    Licores que há muito não servias!

     

    Dei-me a ti perdidamente

    Sem ouvir conselho nem recado,

    Aguardo agora serenamente

    A penitênica do meu pecado!

     

    Pequei, eu bem o sei,

    Em deitar-me no teu regaço

    E por saber que pequei

    Esta contrição eu faço.

     

    Mas, guardo na alma

    O prazer desse momento,

    Nesse fim de tarde calma

    Que adoçou meu sofrimento...

     

    Não sei se haverá perdão

    P'ra este meu pecado cometido,

    Eu dele faço a confissão

    Mas não estou arrependido!...

     

    Que Deus perdoe meu coração

    Que amoroso já não sabe o que diz,

    Pois sentiu neste pecado jubilação

    Fazendo deste dia o mais feliz!..

    João Manuel Zagalo

     

     

     


    Rosa .."Editora"



     
     
    October 18

    bebi a luz dos teus olhos

     
     
    25/10/2007

    bebi a luz dos teus olhos

     

     

    Bebi a luz dos teus olhos

     

     

     

     

     

     

    Acendem-se Estrelas ao Sol-posto
    P'ra à noite ter companhia,
    Mas há duas no teu rosto
    Que brilham de noite e dia!
     
    Bebi a luz dos teus olhos,
    Que a minha sede saciou
    E que num êxtase divino
    A minha alma deixou!
     
    Como Jesus lá no monte
    Que de amor estremeceu,
    Ao beber água da fonte
    Que a Samaritana lhe deu!
     
    Por mais que a minha vida corra
    Nunca tudo hei-de apanhar,
    Mas mesmo que o meu corpo morra
    A minha alma te há-de beijar!...

     

     

    João Manuel Zagalo

     
         
        Rosa "Editora"
     
                                                                     

                  

                    

    July 18

    Santuário do Fado

     
     
                                                    
     
     
                                            

     

                Santuário do fado

     

     

     

     

    Nunca eu fado cantei ,

    Guitarra não dedilhei

    Nas festas ou romarias,

    Mas tenho na alma a faceta,

    Que obriga a minha caneta,

                        A escrever fado todos os dias...

     

    O fado, é remédio que cura,

    Esta saudade pura e dura,

    Que no coração tenho presente...

                        É com a voz de um cantador,

                        Que amenizo esta minha dor,

                        Que é do país estar ausente!...

     

     

                        O fado, é um hino ao destino,

    De toda a raça Portuguesa,

    Que, d,um pais tão pequenino

    Deu ao mundo tanta grandeza

     

    Há fados que cantam “Pessoa”

    Outros,  “Camões” e Lisboa

    E em Coimbra, choram “Hilário”

    São poemas de adoração

    São pedaços da minha nação

    Que do fado é santuário

     

    João Manuel Zagalo

     

     

    July 08

    Quem És ?

     
     
     
     
                                                   

                                         Quem  És  ?

     

           

     

     

    Ainda hoje não sei Quem  és

    Se vieste dos campos floridos

    Ou das florestas encantadas!...

    Talvez tenhas vindo nas marés

    Arrancada aos corais coloridos

    Pelo enrolar das ondas encapeladas

     

    Deste-me o céu , sem eu pedir

    Alegraste-me a alma sem eu merecer

    Saboreas-te as caricias que eu te fiz,

    Deste-me a beber o nectar do prazer

    Pelos teus belos seios , feitos fonte

    Que refrescaram meus lábios febris

     

    Partiste voando,  não mais te vi

     ficou na praia o gemido das ondas

    Que vão e vem betendo na areia!..

    E na crista,  a branca espuma

    Que fustigada pela salgada bruma

    Vindo à praia os meus olhos mareia

     

    Íris é o teu arco, no meu horizonte

    Que brilha  escondido por detraz do mar!

    Pequenos fios de luz escorrem da fonte

    Que finamente estrelam a noite

    Enquanto eu espero que jorre o luar!...

     

     

     

    João Manuel Zagalo

     

     

    May 21

    Fuga Na Madrugada

     
     
     
                                   

           Fuga  Na  Madrugada

                                          

                                            Degustei mais de mil sabores ,

    Ao mordicar os teus doces beijos,

    Deitado  na caruma dos pinheiros ,

    Na floresta dos meus desejos...

     

    Colhi as pétalas perfumadas,

    Das flores do teu afecto.

    Senti nos meus lábios a vulúpia

    Dos seios que me hás oferto...

     

    Senti o teu corpo nu, no meu

    Nadando em águas agitadas.

    Ao prazer que o teu me deu ,

    Ofereceu o meu, caricias onduladas...

     

    Navegámos sem tino nem rumo ,

    Num mar de luxúria agitado,

    De onde te evolaste como o fumo ,

    Desaparecendo no horizonte enevoado...

     

    Quando á minha cama me acoite,

    Sonhando  que  lá estás deitada,

    Estarás comigo toda a noite

    Mas fugirás de madrugada...

     

     

    João  Manuel Zagalo

     

     

     

     

    May 13

    Rainha do Litoral

      
     
     
     
     
     
                 PRAIA DE MIRA:  RAINHA DA COSTA DE PRATA
     
     
     
     
                              
     
     
    May 12

    Praia de Mira

     
     
     
     
                      

    Praia de MIra

     

     

    O mar dorme mancinho

    Coberto pelo branco luar,

    As gaivotas cantam baixinho

    Não vá o mar acordar!

     

     

    Deito-me na areia a seu lado

    Como em lençóis de linho,

    Deixo-me embalar pela briza

    Recordo os tempos de menino!

     

     

    Nas dunas encosto a cabeça

    A espuma branca cobre meus pés,

    Espero que o sonho aconteça

    Com o subir das marés!

     

    Acordo de manhãzinha

    Com o sol jà à janela,

    A namorar a barrinha

    Fazendo a praia mais bela...

     

    João Manuel Zagalo

     

     

     

    March 20

    Á Luz do poeta

                                                 
     
                                     21 de Março, Dia  Internacional da poesia
     
                               
     
                                       
     
                                       Á  Luz  do  Poeta

                                                     Deus fez dele o primeiro poeta

    Dando-lhe a luz no primeiro dia

    Ao  Sol que nos presenteia

    Com vastos momentos de poesia.

     

    Ser poeta é ter na alma a pureza,

    É cantar, chorar, é sentir;

    É compreender a natureza

    Da rosa o perfume ao florir.

     

    Ser poeta é sonhar o futuro,

    É dar voz à imaginação;

    É cantar não só o passado

    Mas à alma dar expressão.

     

    Ser poeta é ser coerente

    É renegar a hipocrisia;

    É aceitar ser diferente

    É viver, lutar pela poesia.

     

     

    É amar a musa que inspira

    Saudade, ou mulher amada,

    Dedicar-lhe a bela poesia

    Em nosso peito germinada.

     

    João Manuel Zagalo

     

     
     
     
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                     A mais formosa

     

     

    Por seres a mais  formosa

    Semeou Deus em ti p,ra mim,

    Dentro do teu peito uma rosa

    Nos teus olhos um jardim.

     

    Se um dia o sol se apagar

    Esta prece a Deus eu faço,

    Que seja para mim o calor

    Que guardas no teu regaço.

     

    Anda o céu num redupio

    Duas estrelas desapareceram,

    Encontrei-as nos teus olhos

    Á noite quando se acenderam.

     

    O sol foi pedir a Deus em vão,

    A tua mão de menina enemorada,

    Mas disse-lhe Deus que  não

    Pois jà a mim estavas destinada!...

     

    João manuel Zagalo

    February 23

    Flor da Cerejeira

               
     
     
                                          

     

     

         Flor da Cerejeira

     

     Pétalas brancas, maré de flores,

    Em fértil campo meu,

    Recebeste os teus amores.

    Deste o teu pólen aos beija-flores

    Foste amante da brisa,

    Para fecundares o fruto

    Num ciclo que se eterniza.

     

    Morreste para dares vida

    Juncaste o chão com marfim

    Do teu gomo pariste o fruto

    Deixaste a tua mãe de luto

    Sepultando-te no meu jardim

     

    O fruto que de ti nasceu

    Da primavera foi o primor

    Teve o sol como padrinho

    Que o beijava de mansinho

    De manhã para lhe dar cor

     

     

    João Manuel  Zagalo

    (Visite Os Arquivos)

                                                      

     

    January 31

    S.Valentim

             
     
     
                                   S. VALENTIm

     

     

                                          Rosas de Amor

     

                        Perdoa-me, meu amor,

    Se te ofendi sem saber

    Ou te desprezei sem querer.

    Perdoa-me, meu amor,

    Se esqueci que existes

    E também tens sentimentos.

    Perdoa –me, meu amor,

    Por eu ser tão intratável,

    Na vida em tantos momentos;

    Por nunca chegar a horas

    Para contigo jantar,

    Pois quando eu chego a casa

    Já estás farta de esperar.

    Mais uma vez perdão te peço

    De esquecer teu aniversário,

    Com uma desculpa esfarrapada

    Qual um conto do vigário.

    Perdoa, amor, perdoa

    Todo o mal que há em mim

    Nem se quer te dei uma rosa

    Em dia de S. Valentim.

    Amo-te sinceramente,

    Mas que queres?... Sou assim,

    Grande remorso eu tenho

    De às vezes te possuir

    Sem sequer olhar para ti.

    Por isto e por tudo o mais

    Desculpa, amor, porque te ofendi.

    Prometo que, de hoje em diante,

    Que minha vida vai mudar

    Porque em dia de namorados

    Meu amor quero renovar.

    Serei um ramo de rosas

    Sem espinhos, de coração,

    Amar-te para toda a vida

    É promessa de paixão.

     

    João Manuel Zagalo

     
     
    .......................................................................................................................... 
     
                                                         

            O grito de quem trabalha

     

     

     

    Não sou um poeta novo

    Sou o grito do meu povo

    Que eu quero saber catar...

    tenho sua raiva no ventre

    E com ele sofro docemente

    E ninguém me pode calar!...

     

    Canto as agruras do monte

    Floridas em tempo farto

    E a singela planta silvestre

    Que cresce no meio do mato,

     

    Grito à água que não corre

    Com palavras que não saem

    Chóro o sumo espremido

    Dos frutos que se esvaiam,

     

    Queria poder  adoçar

    Os  calos de quem tabalha

    Que bebe na fonte o suor

    E na mesa não tem migalha,

     

    É esta a sina da minha gente

    Que tem como ferramenta o arado

    Dá o esforço e a semente

    E nunca mais ser lembrado!...

     

     

    João  Manuel  Zagalo

    Visite  Os   Arquivos...(Archives)

    January 29

    Saudades

                                              
     
     
                                                                    
     
                                  

                         Saudade

     

     

     

    Ao passear nesta cidade,

    Escondo lagrimas de saudade

    Por detrás do meu sorriso forçado...

    Que há muito rabiscam rugas

    No meu rosto  cansado

    E escrevem o poema... deste meu fado...

     

     Dos meus olhos,em sofrimento

    A onde a luz já se faz rara

    A nascente não é avara,

    E brotam  gotas  salgadas de desalento...

     

     

    Imploro  ao vento que sopra,

    Dos lados das  dunas de Mira

    Que me traga por gentilesa,

    No seu sopro as  areias

    Que servem de cama às sereias

    Na nossa praia gandaresa

     

    E o  enrolar das vagas

    Pelos ventos acariciadas

    Num eterno movimento,

    Mesmo estando eu ausente 

    Tenho comigo sempre presente

    Nas marés do pensamento...

     

     

    João  Manuel  Zagalo

     

      

    January 01

    Poetas de MIRA

     
     
     
         FreeCompteur.com

                       Antologia dos poetas de Mira

                                    Se eu fosse poeta

     

                           (Câmara Municipal de Mira e Junta de Freguesia de Mira)

     

     

     

     

    Desejando a todos um bom ano 2007, venho anunciar-vos que no limiar deste novo ano , vamos aqui, no “poesias do seixo de Mira” prestar homenagem aos poetas populares Mirenses, poemas esses já editados na Antologia dos poetas de Mira “Se eu fosse poeta.”

    Temos simplesmente como objetivo divulgar uma obra literária que nos canta com a sua simplicidade a sensibilidade de um povo.

    Salvo umas raras exepções os poetas aqui apresentados  têm como estudos a quarta classe do ensino primário

    Desejamos-vos uma boa leitura, apreciando estes poemas pelos valor que eles representam...

     

    João Manuel Zagalo

     

     

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    Ser Português , Ser Marinheiro

     

     

    No mar se perde a linha do sol-pôr

    Esse mar imenso que a nudez supera,

    Enfunar au vento as velas da galera,

    E cortar da quilha o mar enganador.

     

    Jà longe a terra se perdeu de vista :

    Apenas mar e céu nos cerca, nos separa,

    Mas cresce en nós a fé que nos ampara

    Como se outro mundo dentro de nós exista .

     

    A noite avança,a incerteza aumenta.

    Crescendo em nós o medo da tormenta,

    Quando o vento norte sopra traiçoeiro

     

     

    Mas Deus é fé, esperança e caridade

    Nos frescos anos, da tenra mocidade

    Do Português qu’ além de tudo é marinheiro

     

    Poeta das Pedregeiras

    João Simões –N/12/06/1914—F/1999

    (Antologia dos poetas de Mira)

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    O Livro da Vida

     

    Tudo está escrito

    No livro que não se leu

    Na ilusão do instante

    No caminho degradante

    Que o livro se esqueceu.

     

    Num sentir sem sentido

    Num querer sem vontade

    Livro aberto para não ler

    Olhos fixos , mas não ver

    O livro aberto da verdade.

     

    Já nada importa

    O livro podes fechar

    Não faz sentido lê-lo

    E logo esquecê-lo

    Para não mais lembrar

     

    Livro da vida

    Aberto a todos nós

    De contas erradas

    Nunca acertadas

    Não ouvimos a sua voz.

     

    Livro de segredos

    Em tantas paginas contidos

    Fechado na nossa mão

    As folhas da ilusão

    Do livro sem ser lido

     

    Lurdes Neves

    (Antologia dos poetas de Mira)

     

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     DESEJO

     

    Quisera querida, cobrir-te de beijos

    Pequeninos e leves que mal pressentisses!

    Unir-lhe meus lábios se teus olhos abrisses,

    Ciciar-te au ouvido palavras de amor.

    E neste trepor:

    Se tentasses falar,

    Também com os meus lábios tua boca tapar

    Cerrar os meus olhos...

    Sonhar acordado!

    Feliz me encontrasse...:

    Voltar ao princípio (!);

    Como de beijos de mãe se tratassse!

    Que à filha adorada,

    Dormindo, acordada,

    Mil vezes beija-se

     

                         Á Edite em 11/03/1962

     

                                                                 João Viana   

                                                             Casas Novas --Mira

                                                          Antologia dos poetas de Mira)

     

      

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    Dedicado não a todas,  mas sim certas mulheres da nossa terra

     

     

    Mulher raposa matreira

    Que o homem tem de aturar

    Para conseguir um desejo

    Ela é capaz de chorar.

                  I

    Dizem que é o anjo do lar

    Mas ao homem faz a vida dura

    Pois nunca a temos segura

    Ela só sabe é ralhar

    Mas não nos devemos calar

    Aquele grande banzé

    Ela lava-se e perfuma-se até

    Para ir à praça ou à feira

    Mostrando assim o que é

    Mulher raposa matreira

                      II

    E assim a nossa sina

    Por ter de amar alguém

    Para ela nunca está bem

    E uma bicha muito fina

    Por ser briosa e ladina

    Merecia um lugar no altar

    Para depois lhe implorar

    E comprir a coisa à risca

    Donde geram tal bisca

    Que o homem tem de aturar

                     III

    Ela faz trinta por uma linha

    E a coisa sai sempre bem

    Diz o que tem e o que não

    E o que tinha e que não tinha

    Fazendo-se uma rainha

    Que até mete certo pêjo

    Eu finjo que não vejo

    Aquilo que éla pratica

    Ela até diz que é rica

    Só para conseguir um desejo

                     IV

    Os homens que tem a desventura

    Devem notar isto bem

    Ela não quer só um vintém

    Mas sim dinheiro com fartura

    Para conservar a formosura

    O cofre não lhe deve faltar

    Ela està acostumada a gastar

    Tudo aquilo que o marido arranja

    Para ela tudo isto é canja

    Ela é capaz de chorar

     

    João Rocha zagalo

    Seixo de Mira—N/06/09/1922

    (Antologia dos poetas de Mira)

     

     

     

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                               Fim do Mundo

     

    A eternidade é um momento só

    A nuvem do céu é já pingo de chuva

    Cheguei e parti e nem me dei conta

    O copo vazio é já vinho e uva.

     

    A madrugada e a noite caminharam juntas

    E os rios e os mares uniram-se num

    As altas montanhas juntaram-se ao céu

    Os sinos da igreja são apenas som.

     

    O elefante canta para o rouxinol

    Da mãe pata do rio nasceu um cabrito

    O tempo esqueceu-se e não veio almoçar

    O vento parou e sentou-se aflito.

     

    A lua vestiu-se com vestido de noiva

    De véu e grinalda de ramo na mão

    Os peixes saltaram do rio para comer amoras

    Um raio de sol que passou gritou:”Mas que confusão!”

     

    Os canhões dispararam flores de todas as cores

    Os mísseis usavam ameixas maduras

    Os soldados levavam poemas em vez de espingardas

    E debaixo da terra sai pão, amor e farturas

     

    O altar da igreja tem rendas vermelhas

    E todos os cantos escuros , agora tem luz

    Os santos felizes juntaram-se em festa

    E Jesus Cristo disse:” Quero sair da cruz!”

     

    Maria Guiomar Costa

    MIRA—N/24/12/1951

    (Antologia dos poetas de Mira)

     

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    Rapariga modesta

     

       MOTE

    Tu sentes-te orgulhosa

    Por seres bem torneada

    Há quem te chame vaidosa.

    Tu para mim és asseada.

     

      Glosas

     

    Tens cabelos ondolados

    Tens faces cor-de-rosa.

    Por teres seios limonados

    Tu sentes-te orgulhosa.

     

    Tens a benção da candura

    Numa beleza requintada.

    Realça em ti a formosura

    Pores seres bem torneada.

     

    Pelo caminho da igreja

    Não há moça mais charmosa

    As outras causas inveja.

    Há quem te chame vaidosa!!

     

    Há sempre quem de ti fale.

    Isso é cençura fiada

    O que dizem pouco val

    Tu pra mim és asseada.

     

    José Maria Damas

    N—13/01/1939-- Praia de MIRA

    (Antologia dos poetas deMIRA)

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         A Criação

     

    Uma obra nunca nasce por acaso,

    O operário passa a vida a trabalhar,

    Um envento, nunca na vida acontecia

    Se não fosse a criação tê-lo, pra dar

     

    Avaliar a incursão Humanitária,

    E confundir o superior com  o vulgar,

    De que valia o divino de um sacrário

    Se não fosse a teologia acreditar?!...

     

    Que seria da história das nações

    Sem criação, sem operários,sem enventos,

    Sem o Colombo,Vasco da Gama ,ou seu Camões?!...

     

    O que seria a criação sem novos ventos,

    Dos cantos sem novos estrumentos

    Ou do planeta sem novas gerações?!...,

     

    Domingos Neto N/ 02/11/53—Lentisqueira-Mira

    Publicado na “Voz de Mira” /16/05/2001

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    « o moças Bailai »

     

    O moças dançai o vira

    Que o vira nos dá prazer

    P’ra recordar o passado

    Que o recordar é viver

     

    Rapazes e raparigas

    Dançai o vira velhinho

    A mocida delira

    Dançando o vira certinho

     

    Ai que alegria

    O vira nos trás

    Dá voltas Maria

    Juntinho ao rapaz

     

    Assim a cantar

    Assim a correr

    Assim a bailar

    E belo viver.

     

    O vira dá alegria

    O vira dá emoção

    Ao virar nesta folia

    Saltita o coração

     

    Nesta dança inocente

    Cheia de encanto e beleza

    Vibra alegre, triunfante

    Toda a raça portugeusa.

     

    Francisco  Ribeiro  Carlos

    Portomar-Mira -N/10/8/1916//F/27/01/1940/

    (Antologia dos poetas de Mira)

     

     

     

     

     

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    As mães de Mira que tem os filhos longe por outras terras

    Que não são as nossas terras.

     

    Eu sou uma mulher estéril

    E pergunto a mim mesma

    Os filhos a onde estão?

    A minha herdeira é a saudade

    Que me destroça de manhã ao anoitecer

    Passando-me diante dos olhos  um filme

    Até eu adormecer.

    E sonhando vejo quatro crianças

    Que me fazem viver de esperanças

    A quem está perto de morrer

    Oh minha herdeira saudade

    Não sejas má:  dá-me esse filme

    Tu não me ouves não?

    Tu já não mo podes tirar

    Porque eu o tenho dentro do coração

    Dentro tenho quatro crianças

    Traquinas a brincar

    E uma mãe ao lado

    De vez em quando a ralhar

    Mas essa mulher não sou eu

    Porque sou uma mulher estéril

    Que nunca teve ninguém

    Mas porque é que eu gosto tanto do filme?

    E de ver quatro crianças a brincar

    Será que eu ando iludida

    Ou me esteja a enganar?

    Chora, chora meu pobre coração

    Que a tua herdeira, a saudade

    Fez com que nunca mais

    Tenhas cura nem ventura!

    Chora, chora coração

    Chora, chora de amargura

     

    Celeste de Jesus de Oliveira

    N-26/01/1927

    Carapelhos- Mira

    (Antologia dos poetas de Mira)

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        O MAR

     

    Mar mar porque não te acalmas

    Porque te agitas tanto

    Nesse teu barulho intenso

    Só agitas o meu pranto.

     

    Gosto de ti quando estas calmo

    E tuas ondas acariciar

    Assim na certeza e sem medo

    Em ti vou me relaxar.

     

    Não te sirvas da grandeza

    Para nos atorrorizar

    Pois tu gostas bem de nós

    Na tua linda beira mar

     

    Connosco sempre vens ter

    Como para nos beijar

    Por isso dá-nos respeito

    Se nos quizeres abraçar

     

    Nesta tua imensidão

    Por vezes do leito sais

    Respeita bem os teus limites

    Para não nos deixares aos ais.

     

    Tua grandeza me fascina

    Em ti encontro acalmia

    Mas não te esqueças que nos deves

    O pão nosso de cada dia

     

    Muitos contigo contam

    Para sua fome matar

    Não os esqueças por favor

    Pois é teu dever ò mar

     

    Carlos Martins

    Portomar Mira--N/1953

    (Antologia dos Poetas de Mira)

     

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                 Soneto

     

    Rude e áspera é a paisagem, mas que importa?

    Vibra tal esplendor na luz ambiente

    Que a alma da gente em preces se transporta

    Ao céu, e volta pura a alma da gente!

     

    Como que paira milagrosamente

    A Santa no alto da campina morta

    Derramando dos olhos em torrente

    A Esperança que eleva a fé que exorta

     

    Gente de Portugal, oh minha gente!

    Tu que em Fátima vês nossa Senhora

    Pede-lhe prosternada e reverente.

     

    Que alongue os braços portugal em fora

    Evolva os olhos carinhosamente

    A abençoar-nos hoje e em toda a hora

     

    David Cruz

    MIRA-- N/13/6/1927

    (Antologia dos Poetas de Mira)

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                                          Versos de Entusiasmo

     

                        Luzitania: ó linda pátria querida

    Teus altos feitos por camões versados

    Lendo a historia choro pela vida

    Dos nosos heróis antepassados.

     

    Luzitana sim pois tu ó rapariga

    Por vezes o que a natureza dotou

    Me fizeste lembrar da pátria antiga

    Deste lindo portugal que me embalou.

     

    Pois és dotada de sentimentos nobres

    E também possuis sentimentos belos

    Também sei que a tua maldade não encobres

    Com que possa alguém causar flagelos.

     

    A mão divina te desfolhou na face

    A flor da beleza o lindo enfeito

    Dando à tez a frescura da alface

    E ao coração a bondade e respeito

     

    Poisa-te na face a luz das estrelas

    Es da primavera a flor mais mimosa

    Acho-te a mais linda entre as belas

    Es a luz da lua palida mas airosa.

     

    Es o sol inocente o sol mais perfeito

    O sol que me abria a flor da vida

    O sol que nos dá satisfação ao peito

    O sol que trás a alegria perdida.

     

    Aníbal Domingues Terríel

    Ramalheiro-Mira(23/02/1905--/20/04/1998

    (Antologia dos Poetas de Mira)